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Julgamento de empresário acusado de matar ex-namorada no ES é adiado pela 6ª vez

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Julgamento de empresário acusado de matar ex-namorada no ES é adiado pela 6ª vez

CASO GABRIELA REGATTIERI CHERMONT

Gabriela Regattieri Chermont foi morta na madrugada do dia 20 para o dia 21 de setembro de 1996, em Vitória/Espírito Santo.

A vítima, de 19 anos, namorava Luiz Cláudio Sardenberg, de 28 anos, há aproximadamente 04 anos quando do ocorrido.

Gabriela era uma moça alegre, cheia de vida e muito bonita, fazia faculdade de economia e era estagiária na Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Espírito Santo.

Ambos mantinham um relacionamento instável, sendo que por diversas vezes romperam e, posteriormente, reatavam o namoro.

Aproximadamente um mês antes da morte da vítima, esta havia terminado o relacionamento com Luiz Cláudio, em razão de, entre outros motivos, este ser usuário de drogas e não dar atenção para ela quando entorpecido.

Algumas semanas antes do ocorrido, Gabriela começou a se relacionar com um colega de turma chamado João, o que veio ao conhecimento de Luiz Cláudio.

No dia dos fatos, Gabriela, após sair do estágio foi a um desfile de moda no Shopping Vitória com uma amiga e depois dirigiu-se a sua residência.

Segundo testemunhas, naquele dia, Luiz Cláudio insistentemente procurou Gabriela, tendo esta, após o retorno do desfile, concordado em sair para conversar com o réu, indo até o Bar Galpão.

É dos autos que, em seguida, Luiz Cláudio levou-a ao Apart Hotel La Residance, na Avenida Dante Michelini, 1777, onde um dos apartamentos era de propriedade da família.

Segundo testemunhas, ambos entraram por volta da 00:30 do dia 21, no carro de Luiz Cláudio.

Por volta das 02 horas, os funcionários ouviram um barulho alto. Acreditaram que teria havido colisão de carros na garagem ou o estouro de algum pneu.

O recepcionista então, ao procurar a origem do barulho, se deparou com o corpo de Gabriela caído na garagem superior do edifício.

Logo após se deparar com o corpo da moça, presenciou o acusado descendo pelo elevador, o qual imediatamente pediu as chaves do carro, dando indícios que objetivava se evadir do local, não demonstrando qualquer preocupação no que tinha ocorrido com a vítima.

O funcionário Denir, propositadamente, temendo ser responsabilizado, mentiu para Luiz Cláudio dizendo que não estava conseguindo encontrar as chaves do veículo.

O réu, demonstrando total desespero, apenas após a negativa do recepcionista, decidiu ligar para a mãe de Gabriela, Eroteides, simulando que aquela teria se jogado do 12º andar do prédio.

Após a ligação, conseguindo convencer o recepcionista a lhe entregar as chaves do veículo, sem sequer se dirigir ao local onde a vítima estava, ao invés de acionar serviço médico, polícia militar ou corpo de bombeiros, visando induzir os familiares em erro, se dirigiu à residência da vítima, para buscar a mãe e o irmão desta, com a finalidade de fazer verdade a sua farsa.

Ao chegarem ao prédio e se depararem com o corpo da vítima, passado longo período do crime, Luiz Cláudio induziu o irmão de Gabriela a juntamente com ele, remover o corpo do local para tentar acobertar o crime de homicídio, como se ainda houvesse a possibilidade de que estivesse viva, alterando o local da queda antes da perícia.

Ao redor do corpo da vítima, havia apenas uma poça de sangue na região da cabeça, sendo que, após ter sido deslocado, formaram-se duas poças.

No momento da alteração do local do crime, o réu segurou-a pelas pernas e o irmão dela, pelos braços.

Diversas testemunhas, dentre elas, funcionários do hotel e familiares e amigos da família da vítima, perceberam que Luiz Cláudio tinha respingos de sangue em sua calça, os quais não se coadunam com sua versão.

O corpo da vítima contava com uma fratura exposta no fêmur, algumas fraturas no crânio, deslocamento da coluna, equimoses nos pulsos e dois dentes incisivos quebrados.

Depois de algum tempo, chegaram ao local policiais militares e peritos, sendo que o Tenente que compareceu e conversou com o acusado afirmou categoricamente que este apresentava comportamento incondizente com o de quem teria presenciado um suicídio de uma ex-namorada, passando assim, a ser o principal suspeito do homicídio que ocorrera, tendo Késio sugerido o imediato encaminhamento de Luiz Cláudio para o Distrito Policial.

Os experts, quando da realização da perícia no apartamento, foram acompanhados pelo réu e seu irmão, sendo os familiares da vítima impedidos de acompanhar os trabalhos.

Foram encontrados próximo ao corpo de Gabriela um colar rompido e um anel amassado, indício de luta corporal antes da queda.

O réu foi até a Delegacia do Plantão e disse, em um primeiro momento, que tudo estava bem no relacionamento e que manteve relações sexuais com a vítima no apartamento, apontando que do nada teria visto Gabriela no parapeito da janela da cozinha e que então ela teria se jogado antes que ele pudesse alcançá-la, versão esta que não corrobora com o laudo pericial confeccionado pelos peritos do Distrito Federal, os quais atestam categoricamente que Gabriela foi vítima de homicídio.

Segundo a versão do réu Gabriela teria utilizado uma cadeira para subir no parapeito da janela, contudo, quando foi encontrada estava descalça, havendo o relato de uma funcionária do hotel, a qual adentrou o apartamento logo após o fato, constatando a existência de marca de sapato ou tênis naquela, desmascarando assim a farsa criada pelo réu, de forma a comprovar que este teria pisado na cadeira para jogar o corpo de Gabriela pela janela.

Foi realizado exame toxicológico, que apontou pela presença de álcool e cocaína no corpo do réu, sendo que a perita oficial responsável ressaltou que o efeito do primeiro potencializa o do segundo.

Atestou também que só é possível detectar a presença de cocaína por meio de teste de urina nas 12 horas após o uso, ou seja, comprovando que, na noite do crime, Luiz Cláudio havia cheirado cocaína que fora potencializada pelo álcool ingerido.

Dezessete dias passados dos fatos, após 5 dias desde sua intimação, compareceu o réu no Departamento de Medicina Legal, oportunidade em que foi submetido a exame de corpo de delito.

O perito oficial constatou que havia cicatrizes recentes na região de suas mãos, e afirmou ter a absoluta certeza de que se o exame fosse realizado no dia dos fatos, haveria feridas, e não cicatrizes, restando evidente que o réu agrediu a vítima antes de jogá-la pela janela.

Em razão da precariedade do primeiro exame necroscópico realizado, que não se preocupou em identificar lesões secundárias, que comprovam luta corporal prévia à queda, o Juiz determinou a exumação do cadáver de Gabriela, por meio da qual se confirmou a existência de algumas lesões causadas por impactos de baixa energia, dificilmente relacionadas ao impacto.

Ao final das investigações, Luiz Cláudio foi denunciado pela prática de homicídio triplamente qualificado, em razão de ter se valido de motivo torpe para a prática do crime, de ter dificultado a defesa da vítima e por ter utilizado meio cruel, qual seja, o espancamento.

Em primeira instância, após ouvir diversas pessoas, foi determinado que o réu fosse encaminhado a júri popular pelo homicídio de Gabriela.

Depois de inúmeros recursos apresentados pelas partes, a decisão de pronúncia foi confirmada, tendo o magistrado designado a realização do júri popular no ano de 2016.

Desde então, por seis oportunidades, o julgamento foi redesignado, havendo nova data marcada para o dia 03 de dezembro de 2019, vinte e três anos após o assassinato de Gabriela.

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